sexta-feira, 21 de novembro de 2014

domingo, 16 de novembro de 2014

1475- PARECER do Prof. Dr. José Luiz Quadros de Magalhães sobre as decisões judiciais que mandam despejar cerca de 8 mil famílias nas Ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória, na Região do Isidoro, em Belo Horizonte e Santa Luzia, MG.

PARECER do Prof. Dr. José Luiz Quadros de Magalhães sobre as decisões judiciais que mandam despejar cerca de 8 mil famílias nas Ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória, na Região do Isidoro, em Belo Horizonte e Santa Luzia, MG.

PARECER

DIREITO À MORADIA COMO DIREITO HUMANO E FUNDAMENTAL. IMPOSSIBILIDADE DE DESPEJO DE MILHARES DE FAMÍLIAS SEM ALTERNATIVA DE MORADIA DIGNA. NÃO SUBORDINAÇÃO DO DIREITO À VIDA DIGNA AO DIREITO DE PROPRIEDADE. SOBRE A INCONSTITUCIONALIDADE, ILEGALIDADE E IMORALIDADE DA DECISÃO DE DESPEJO DE MAIS DE OITO MIL FAMILIAS.

Consulente: Moradores das Ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória.
Parecerista: José Luiz Quadros de Magalhães[1]

1-   DA CONSULTA

Os moradores das Ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória fazem uma consulta sobre a ameaça de despejo de mais de 8.000 (oito mil famílias) por decisão flagrantemente ilegal e inconstitucional da Juíza de Direito Luzia Divina Peixoto, nos autos de reintegração de posse de número 0024.13.242.724-6, 0024.13.313.504-6. 0024.13.304.260-6 e 0024.13.297.889-1, em trâmite na 6ª Vara da Fazenda Pública Municipal de Belo Horizonte.
De acordo com os consulentes, além da flagrante inconstitucionalidade da decisão de despejo, outras ilegalidades e inconstitucionalidades estão presentes no processo, pela inobservância do princípio da igualdade perante a lei, e dos princípios processuais constitucionais da ampla defesa e do contraditório, princípios estes que se desdobram na lei processual federal que assegura igualdade de tratamento às partes. A Juíza do processo vem dificultando a defesa e o acesso aos autos para a Defensoria Pública e o Ministério Público de Minas Gerais
Diante dos fatos narrados, a consulente questiona sobre a legalidade e a constitucionalidade da decisão e sobre o direito dos moradores, pessoas portadoras de direitos constitucionais, com direitos iguais assegurados pela Constituição, à moradia, à dignidade, à segurança e integridade física e moral.

2 - DO DIREITO

         São várias as obras e autores no campo do Direito que estudam a questão dos princípios e regras constitucionais. A questão em análise não poderia implicar em dificuldade de compreensão ou interpretações divergentes diante dos princípios que se densificam diante do caso concreto, em análise, em direitos constitucionais fundamentais. No caso, estamos diante de direitos que decorrem de princípios constitucionais fundamentais como a dignidade da pessoa; a integridade física e moral; a segurança; a vida; a liberdade; a moradia, e outros destes decorrentes. São mais de 8.000 famílias, milhares de pessoas portadoras destes direitos inalienáveis que serão prejudicadas e terão seus direitos violados com esta decisão incompreensível, e que de tamanho o absurdo, é também imoral.
         Como mencionamos, vários são os autores, que a partir de teorias construídas sobre a relação entre princípios e regras nos mostram a solução para o caso. Dworkin, Habermas, Alexy, e, no Brasil, um grande número de teóricos do Direito e constitucionalistas como o atual Ministro do STF Luis Roberto Barroso, se dedicam ao estudo do neo-constitucionalismo e a questão dos princípios.
         A Constituição brasileira de 1988 contém tipos distintos de normas jurídicas como as regras, os princípios setoriais e os princípios fundamentais expressos e princípios e normas deduzidas a partir da interpretação sistêmica do seu texto, sempre diante do caso concreto.
         Ao aplicar qualquer norma jurídica infraconstitucional (uma regra do Código de Processo, por exemplo), o interprete das normas que regulam o caso concreto, que irá construir uma norma para o caso (a decisão de um juiz no processo por exemplo), deve partir sempre da complexidade de cada caso. A decisão judicial é uma norma para o caso concreto, construída pelo Juiz, levando em consideração toda a complexidade deste caso e todas as normas que o regulam, ou seja, as regras infraconstitucionais, as regras constitucionais e os princípios expressos e deduzidos do texto constitucional. Toda lei só pode ser aplicada em consonância com a Constituição, que por sua vez só pode ser compreendida como um sistema.
         Assim, ao aplicar uma regra infraconstitucional (uma regra do Código de Processo, por exemplo), o interprete deverá cuidar para que a sua aplicação não seja contrária ao texto constitucional e não viole nenhum direito constitucional. Neste sentido, uma lei, que em abstrato é constitucional, pode, diante da complexidade do caso, ter uma aplicação inconstitucional. A lei e a Constituição têm uma finalidade, e sua aplicação fora desta finalidade também é inconstitucional.
         Por este motivo, muitos constitucionalistas e teóricos do direito têm dedicado muitas e muitas páginas, livros, artigos, teses e dissertações sobre a interpretação e aplicação do direito. Aplicar o direito ao caso concreto não é uma operação simples. Para aplicar o direito é necessário interpretá-lo, e a sua interpretação deve compreender o direito como um sistema integrado e coerente de normas (princípios e regras) que serão adequadas, sempre, ao caso concreto. Daí que para cada caso, haverá uma norma construída a partir do sistema jurídico constitucional.
         O jurista Ronald Dworkin desenvolveu uma ideia que é muito importante para entendermos melhor o processo de construção da norma (da decisão judicial) para o caso concreto. Em sua teoria, ele menciona a ideia da “integridade” do direito, que deve ser mantida quando da decisão judicial.
         Podemos entender a integridade de duas maneiras: a “integridade” como a coerência sistêmica do ordenamento jurídico e o respeito a sua totalidade; e “integridade” enquanto coerência histórica, quando então, em cada decisão, cada juiz escreve um novo capítulo de um romance em cadeia, que guarda coerência com o capítulo anterior, e evolui e se transforma a partir deste processo histórico. Assim, um juiz não vai inventar um conceito de um princípio do nada, mas pode fazer evoluir a compreensão deste princípio guardando coerência com a história e as decisões anteriores frente às transformações sociais.
         Decorre desta compreensão que o Juiz, ao construir a decisão para o caso concreto não pode escolher uma regra em detrimento de outra segundo sua vontade e seus valores pessoais. Isto seria a mais completa insegurança jurídica. A sua decisão deve ser a que guarda a integridade de todo o sistema. Assim, não haveria escolha entre o direito de propriedade e o direito à vida, a integridade física e moral; à moradia; à segurança. Todos devem ser respeitados. Acontece, que diante do caso concreto, este sistema integral pode tencionar-se. Ou seja, se em abstrato dizemos que propriedade, vida, segurança, dignidade e outros devem ser respeitados simultaneamente, diante de situações complexas da vida, muitas vezes estes princípios entrarão em conflito.
         Como solucionar este conflito? O conflito entre regras é de fácil solução. As regras regulam situações específicas. O seu grau de abrangência é menor. Não podem existir duas regras regulando a mesma situação: assim a regra posterior revoga a anterior, a específica prevalece sobre a genérica, e a hierarquicamente superior prevalece sobre a inferior. Já entre os princípios não é assim. Os princípios são normas com um grau de abrangência muito maior, eles regulam diversas situações simultaneamente, e diversos princípios se aplicam à mesma situação. Este é o caso.
         Na situação em tela, qual será a única decisão possível que preserve o sistema jurídico constitucional em sua integridade, ou seja: preserve a vida, a integridade física e moral destas mais de 8.000 famílias; preserve o seu direito de moradia, de dignidade, e ao mesmo tempo preserve o direito de propriedade?
         Certamente, uma decisão absolutamente inconstitucional, que destrói a integridade do Direito é a que implica nos despejos. Esta não tem nenhuma sustentação lógica constitucional além de ser imoral. Uma decisão deste teor deve gerar a responsabilização criminal do Juiz que a proferir.
         Supondo que haja ainda um direito de propriedade a ser garantido, pois o direito deve ser exercido para que seja protegido, a única solução possível, que mantenha a integridade do sistema deve ser a que mantenha estas pessoas nos espaços e moradias que atualmente ocupam e se desaproprie a área pagando a indenização devida, caso contrário, estas pessoas só poderiam sair diante de uma negociação (jamais com o uso da força por tudo que foi explicado) onde lhes seja garantida moradia com dignidade e respeito, e sempre, a sua integridade física e moral.
         Não há justificativa possível, para o direito constitucional, a violação de princípios dos quais decorrem direitos fundamentais como a vida; a segurança; a integridade física e moral; a moradia, de mais de oito mil famílias (8.000) para se garantir um suposto direito de propriedade.
         Além de todo o exposto, a análise do processo aponta uma série de ilegalidades e inconstitucionalidades, decorrentes da inobservância dos princípios processuais constitucionais da ampla defesa, do devido processo legal e do contraditório. Essas ilegalidades foram arguidas pela Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais, em Agravo negado por dois desembargadores; pelo Ministério Público em Ação Civil Pública impetrada na 2ª Vara de Fazenda Pública Estadual, dia 15 de julho de 2014, ação ainda não julgada; em exceção de suspeição da juíza, recurso não julgado também ainda; e em Mandado de Segurança. E deverão ser arguidos em outros recursos judiciais ainda cabíveis.

CONCLUSÃO

Por todo o exposto, é o presente parecer pela inconstitucionalidade da retirada dos moradores (8.000 famílias) das ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória, pois isto implicará na grave violação de princípios e direitos constitucionais fundamentais destes decorrentes. 
É o parecer.
Belo Horizonte, 10 de Agosto de 2014.

José Luiz Quadros de Magalhães

[1] Possui graduação em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (1986), graduação em Língua e Literatura Francesa pela Universidade Nancy II (1983), mestrado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (1991) e doutorado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (1996). Atualmente é professor titular da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, professor associado da Universidade Federal de Minas Gerais e professor do programa de mestrado da Faculdade de Direito do Sul de Minas. É coordenador de projeto do programa Pólos de Cidadania da UFMG e coordenador regional (região sudeste - Brasil) da Rede pelo Constitucionalismo democrático latino americano. Professor visitante no mestrado em filosofia da Universidad Libre de Bogotá; do doutorado da Faculdade de Direito da Universidad de Buenos Aires; foi professor visitante na Universidad de la Habana (Cuba) e pesquisador na Universidad Nacional Autónoma de México. Tem diversos livros e artigos científicos e jornalísticos publicados. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Constitucional, Internacional, Teoria do Estado e da Constituição, atuando principalmente nos seguintes temas: plurinacionalidade, diversidade, democracia, federalismo, direitos humanos, poder, ideologia e constituição.


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

1469- Por que votei Dilma? - professor Virgilio de Mattos

  POR QUE VOTEI DILMA?

                                               Virgílio de Mattos[1]

         Acredito que quem me conhece, minimamente que seja, saiba a resposta, mas escrevo este texto exatamente para aqueles que não me conhecem e nem suspeitam quem eu seja.
         Votei Dilma para ser coerente com minha história pessoal. Para respeitar meus mortos, tanto os pessoais, quanto os coletivos, perseguidos desde o Estado Novo por Doutor Getúlio. Pelos torturados, tanto os de minha família, quanto os das famílias dos outros que eu sequer conheço.
         Votei Dilma porque me organizei contra a ditadura militar aos 14 anos e desde aquela época, vivi um longo tempo com o medo me mordendo os calcanhares e me roendo as esperanças. Sempre avançando, às vezes como um destroço, noutras como um náufrago, mas sobrevivendo sempre.
         Votei Dilma porque ainda existem analfabetos (não os políticos e nem os funcionais) absolutos neste país, como eram os meus avós. E que sempre colocaram muita fé em mim (como fazem sempre os avós em relação aos netos), que eu iria ser um ser que ensina, o que transformei em profissão.
         Votei Dilma porque “amo a uma mulher clara que a mim me ama sem pedir nada, ou quase nada, o que, se não é o mesmo, é igual” , como diz a canção; e estou absolutamente seguro que ela não me permitiria mais na vida dela se, num surto psicótico – do qual quase ninguém pode dizer que está livre – tivesse que obedecer às vozes dizendo: Vota na direita! Vota no playboy!
         Votei Dilma porque tenho compromisso e orgulho de classe e sei que na hora do mais fundo desespero quem vai salvar você é a sua origem de classe.
         Votei Dilma em homenagem aos meus amigos que são professores e professoras, aos alunos e alunas. Tanto os antigos, quanto os presentes, quanto aos que virão.
         Votei Dilma porque jamais cogitei outro voto, mesmo sabendo que a prática desenvolvida nos últimos quatro anos, na maior foi uma prática de centro, o que me irrita muito, mas que tento compreender.
         Votei Dilma pelos seus acertos no atacado, mesmo entendendo que alguns erros no varejo seriam passíveis de serem evitados.
         Votei Dilma na esperança da lei de mídia, da reforma política, no avanço da saúde e educação.
         Votei Dilma porque não tenho medo dessa direita raivosa que pensou que poderia intimidar a nós, os sobreviventes.
         Votei Dilma para mandar um recado curto e grosso a “essa gente”: tua pose e tua posse, vocês cuidem aí direitinho, viu? Vocês só têm a perder, seus sacanas!



[1] - Um desconhecido professor do interior de Minas Gerais. Há décadas acredita que homem pode vir a ser amigo do homem e não patrão do homem.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

1466- Palestra no Seminário de Direito Humanos da Escola Superior Dom Helder Câmara - Prof. José Luiz Quadros de Magalhães

Seminário Nacional de Direitos Humanos como projeto de sociedade - Escola Superior Dom Helder Câmara - Setembro 2014:
https://www.youtube.com/watch?v=K5YQuTLK0u4&feature=youtu.be

1465- Financiamento dos Direitos Fundamentais com Elida Graziane e José Luiz Quadros de Magalhães

Financiamento dos Direitos Fundamentais com Elida Graziane e José Luiz Quadros de Magalhães na TV Assembleia de Minas Gerais:
Parte 1:
Parte 2:
Parte 3:
Parte 4:

1464- Conferência sobre o Novo Constitucionalismo Latino-Americano - o Estado Plurinacional - Prof. José Luiz Quadros de Magalhães

Conferência sobre o Novo Constitucionalismo Latino-Americano - o Estado Plurinacional - Prof. José Luiz Quadros de Magalhães, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais TV ALEMG:

domingo, 12 de outubro de 2014

1460- Trabalhador vota em trabalhador, rico vota em rico! - artigo do professor Virgilio de Mattos

TRABALHADOR VOTA EM TRABALHADOR, RICO VOTA EM RICO!
                                
Virgílio de Mattos[1]

        POBRE E DESINFORMADO É A PUTA QUE O PARIU! Fiquei pensando em dar este título a este texto e, de certa forma, dar uma resposta ao chefe do playboy candidato à presidência, que na semana passada disse essa platitude: só os pobres e desinformados é que votariam na Presidenta Dilma, 13 e confirma; para azar dos poderosos de plantão, assim como ele e sua cria, o playboy aético. Mas fiquei refletindo se isso não seria alguma coisa agressiva demais e ando tão plácido que chego a pensar que Svletana era uma boa filha...
        Ando plácido mas fazendo o meu trabalho que tem sido conscientizar as pessoas, principalmente àquelas que vivem fora de Minas Gerais o que é ser (des)governado por essa gente: brancos, ricos, sem pudor ou ética, que uma amiga muito engraçada chama de tucanalha.
        São raríssimas as barbaridades cometidas pela política neoliberal tucana em Minas que foram noticiadas fora de Minas. Em Minas a única coisa não censurada nos últimos 12 anos foi o bloco parlamentar “Minas sem censura”. O resto, o resto é resto mesmo, é só dizer que beleza!, que maravilha!, que bunitim! (Mineiro fala engraçadim assim mês. Bunitim, né sô?!)
        Acreditavam que a mentira repetida ad nauseam iria convencer a todos e converter em tolos os eleitores para sempre e caíram do cavalo, ou da égua, pra não ser acusado de ser incorreto politicamente. O imperador foi tocado pra fora com o rabinho entre as pernas e aí, diante da avalanche de votos que o levou pra longe, os jornalões, as tvs e as rádios não tiveram como não dar a notícia: QUEM CONHECE O AÉCIO NÃO VOTA NO AÉCIO!
        Mas eu tenho conversado muito com as pessoas que não têm a clareza do que o modelo neoliberal representa: arrocho salarial, diminuição dos postos de emprego, restrição ao crédito e aumento dos juros e “flexibilização” (que pra eles é sinônimo de extinção) dos direitos todos, a começar pelos trabalhistas como férias de 30 dias, 13º salário, aviso prévio, etc., conquistados duramente pelas lutas operárias no início dos anos 1940!
        É isso mesmo, leitor e leitora pacientes, votar no modelo neoliberal fará com que você embarque numa máquina do tempo não para o tempo da recessão de 1982 (quem a viveu sabe bem do que eu estou falando. Eu mesmo fiquei nove meses desempregado.), mas para antes de 1940, já pensou que beleza?
        Ricos votam em ricos. Perdem um pouquinho aqui, dependendo das circunstâncias, porque sabem que irão ganhar um montão acolá. Ricos gostam de ricos, consomem como ricos e têm pavor de pobres. Tá bem, eu consigo entender, como diz a sábia rebolante do funk: “cada um no seu quadrado”. Rico vive de explorar pobre mesmo.
        Mas uma coisa que tem me incomodado muito e tenho tentado ser paciente nas explicações (quem me conhece sabe que ando acelerado pra ter paciência, mas que paciência nunca foi o meu forte) é por que pobre tem declarado voto em rico?
        Duvido muito que as teorias de Milton Friedman tenham sido absorvidas pelo Jorginho jardineiro, pelo “Seo” Zé porteiro, pela Jamile do barraco de madeirite (a solidariedade entre os trabalhadores vai tirar você, seu marido e os gêmeos do madeirite já, já, Jamile!) ou pelo Tarzã faz-tudo, meus amigos. Que merda é essa de liberdade econômica com mínima participação do Estado? Economia de mercado é comprar menos no sacolão? Reduzir impostos só pros ricos por que, se eles já têm tanto? Ah, vai ver é pela sua network, seus amigos bacanas, como Augusto Pinochet, Richard Nixon e Ronald Reagan, só gente boa...
        Evidentemente que esses meus amigos nunca ouviram falar em mais valia, exceto, “numa comparação”: mais valia mandar esse playboy à merda e deixar a gente em paz pra trabalhar e seguir pelejando, fico imaginando essa fala na fala do Tarzã, por exemplo, “numa comparação”.
        Eu não preciso explicar Marx pra eles, nem que a mão invisível do mercado só serve se for pra passar na bunda dos poderosos. O mercado sempre regulou a miséria e a fome, da imensa maioria, para que uns poucos possam rir da cara da gente.
        O sorriso desse playboy babaca deve ser da cara dos pobres que votam nele.
        Vocês acreditam que tem pobre votando nele? Eu sempre pensei que rico votasse em rico e que trabalhador votasse sempre em trabalhador.
        Mas como dizia o seu Joel, sábio pai de minha amiga Delze: bobo e estrada de chão num acaba nesse mundão.
        Vote Dilma, vote 13! Azar dos poderosos!



[1] - Pode ser professor, mas não é burro: se trabalha há mais de 42 anos, não pode votar em um playboy que nunca trabalhou.

sábado, 11 de outubro de 2014

1459- O mundo está ao contrário e ninguém reparou - artigo do prof. José Luiz Quadros de Magalhães

O MUNDO ESTÁ AO CONTRÁRIO E NINGUÉM REPAROU....

José Luiz Quadros de Magalhães



            O titulo deste texto, que é uma citação de parte da letra da música de Nando Reis, "Relicário", interpretada de forma inesquecível por Cássia Eller, ajuda a explicar o sentimento que tenho diante das eleições presidenciais no Brasil e o que vem acontecendo no mundo neste imprevisível século XXI.
            Triste o que estamos vivendo. Os golpes de estado contra a democracia já foram menos sofisticados, mas nem por isto menos patéticos. Estamos vivendo um golpe lento e gradual, preparado com cuidado e paciência. Desde a coincidência das eleições municipais com o julgamento da Ação Penal 470 (chamada pela imprensa de “mensalão”) onde pela primeira vez, após mais de um século de “república” e muita corrupção, a grande imprensa, nas mãos de poucas pessoas (poucos proprietários), escolheu, em meio a uma grande oferta de pessoas envolvidas com corrupção (há muito tempo), alguns políticos de um partido de esquerda para execrar publicamente. Lembremos que o Direito democrático garante o contraditório e a ampla defesa assim como a impossibilidade de que a pena ultrapasse à pessoa do condenado, estabelecendo, ainda, o limite desta mesma pena. Em outras palavras, as pessoas condenadas às penas privativas de liberdade só podem ser punidas com a privação da liberdade e não, jamais, com a execração pública, exposição pública, humilhação ou qualquer outro tipo de violência moral e física.
            Assistimos agora, no segundo turno das eleições presidenciais de 2014, uma campanha diária e massiva de todos os grandes jornais escritos e nas rádios e televisões vinculando o Partido dos Trabalhadores à corrupção, como se fossem verdades acusações (delações) de pessoas envolvidas com a corrupção, sem que ocorra a feitura de provas, o direito de defesa, contraditório e duplo grau de jurisdição. Em outras palavras, a mídia acusa, expõe pessoas à execração pública, influencia as eleições, sem processo, sem decisão judicial. Isto é crime.
Temos muitos problemas graves acontecendo neste triste momento da jovem democracia brasileira. Vamos tentar entende-los:
1-    Não é possível uma democracia efetiva com uma mídia concentrada, parcial, que mente, distorce, cria fatos, encobre outros com a finalidade de influenciar e manipular a opinião pública. É obvio que um grande jornal, TV, rádio, pertencentes a poucos proprietários, jamais irá divulgar notícias que prejudiquem seus interesses econômicos. Não é necessário muito esforço intelectual para entender que uma empresa (um conglomerado econômico por exemplo) não divulgará notícias ou concederá espaço para ideias que prejudiquem qualquer ramo de seus negócios ou de seus patrocinadores. O sistema privatizado e concentrado da mídia hoje, em vários países capitalistas, não permite a livre informação, e mais, manipula e distorce fatos, em favor de seus interesses.
2-    Corrupção é uma questão de polícia. Não faz o menor sentido, a não ser o de evitar a livre discussão de ideias, discutir acusações de cometimento de crimes por um ou outro grupo político ou candidatos em época de eleições. Nas eleições devemos debater ideias, projetos e realizações. Corrupção é uma questão de polícia. Para isto temos uma polícia federal competente para investigar, um Ministério Público atuante e um Judiciário capaz de assegurar o devido processo legal. Para isto foi aprovada uma lei de ficha limpa, para que não tenhamos que ficar discutindo a honestidade dos candidatos, pois não temos informações, conhecimentos dos fatos e das provas existentes, não ouvimos com igualdade as partes envolvidas, enfim, o eleitor não é o juiz em um processo judicial, mas deve ser o juiz das ideias, realizações e projetos para escolher o partido político e os candidatos que mais realizaram e que têm o melhor projeto.
3-    O eleitor deve buscar as informações, os dados concretos, as realizações efetivas e os projetos de governo para fazer sua escolha, e não transformar as eleições em um jogo de futebol onde escolhemos o nosso time com emoção. Política não é futebol e partido político não é um clube esportivo.
4-    O discurso de ódio é extremamente perigoso e foi utilizado por regimes totalitários. A estratégia utilizada de maneira irresponsável por alguns marqueteiros joga com a ideia binária do “nós” (os bons) contra “eles” (os maus), dividindo o país, subalternizando aquele que não tem a mesma opinião ou pertence ao mesmo grupo, incentivando a violência. A violência política no Brasil é criada e incentivada pela grande mídia.

Interessante a declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmando que os eleitores da Presidenta Dilma são pobres desinformados. Fica claro que, em muitos casos, o que ocorre é justamente o contrário. A desinformação causada pela grande mídia leva as pessoas a votarem em pessoas e partidos que elas não votariam se estivessem enxergando o real.  Inebriadas pelas mentiras e pelo constante incentivo ao ódio, o eleitor não tem como parar para pensar em argumentos, analisar dados, fatos e a interpretação dos mesmos. Respondem ao argumento com frases prontas, com raiva, com ódio, não se permitem uma reflexão, rejeitam com agressividade qualquer tentativa de diálogo e argumentação contrária às suas certezas. Esta foi a perigosa estratégia de ódio dos regimes totalitários. Mais uma vez, o PSDB e a direita brasileira, recorrem às estratégias de divisão, manipulação, encobrimento, mentiras e divisão da sociedade para tentar evitar o jogo livre de ideias e argumentos, na escolha por parte dos eleitores, de um projeto de pais para todos e cada um dos brasileiros.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

1458- Novo livro sobre Diversidade: Ecologia dos saberes - tecendo novas relações - organizado por Elisa Cristina de Oliveira Resende

Novo livro sobre Diversidade: Ecologia dos saberes - tecendo novas relações - organizado por Elisa Cristina de Oliveira Resende.
V Semana de Ciência, Arte e Política
Anais da SCAP
Belo Horizonte, 2013
ISSN 978-85-8239-017-7

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

1457- A dentista do Ailton voltou dos Estados Unidos - Coluna do professor Virgilio de Mattos

A DENTISTA DO AILTON VOLTOU DOS ESTADOS UNIDOS
                            

Virgílio de Mattos[1]


Eu tenho um medo danado da dentista do Aílton. Não que não tenha medo de outros profissionais da odontologia, tenho sim, mas a dentista do Ailton me infunde um terror especial que me faz ficar preocupado quando soube que ela tinha voltado dos Estados Unidos, onde foi, seguramente, derreter o que toma de seus clientes, do Aílton inclusive, nas lojas e nas liquidações da ilha de Manhatan, que desde Carlos Drumond de Andrade os poetas tentam explodir sem sucesso.
A dentista do Aílton trouxe um monte de roupas espalhafatosas, mas in, cosméticos made in USA e até pasta de dente que ela jura que todo mundo usa. Cansada mesmo ficava de não conseguir se fazer entender em Nova Iorque, que tem pouco tempo ela descobriu ser uma ilha: “Eu tenho um inglês tão bom quanto o da Carmen, do nono andar, mas assim como ela ninguém me entende também. Essa gentinha que atende a gente tinha que se profissionalizar para atender a gente diferenciada”. Ela adora a expressão “diferenciada” que serve pra tudo, desde comida até gente.
Arrebentou o cartão de crédito e terá uma grande e desagradável surpresa quando for pagá-lo, porque o seu candidato, agora no segundo turno, que ela jura ser um Juscelino “repaginado” (o que diabos ela queira dizer com isso, mas é uma expressão que ela também usa pra tudo), já fez o dólar estadunidense subir mais do que a pressão de pobre balançando de raiva nos ônibus superlotados depois do serviço. E ela disse que “depois pensa nisso”. Lógico que vão controlar a inflação e melhorar a economia sem esses comunistas do PT (ela jura que o PT é um partido de comunistas).
A dentista do Aílton tem o seu lado pândego também, quando anda em ambientes fechados, o que se pode notar já a distância pelo “toc-toc-toc” nervoso do salto alto trotando e pelo tilintar das pulseiras “não uso bijou não, cê tá doido? É tudo ouro, ouro, ouro”; ela jura que “essa gentinha”, isto é, o país todo que não pensa e não consome como ela, deveria ‘ir para Coréia do Norte ou pra China, que é lugar de comunista”.
Embora ache muito in azul com amarelo, ela tende a não participar das carreatas pagas pelo seu candidato, “porque mistura muito, tem de tudo, até gente que a gente vê que não é do nosso nível”. E ela, afinal, que sempre estudou nos melhores colégios particulares e só fez “odonto na Federal, pagava uma mixaria, o desagradável era não ter garagem coberta, o carro ficava todo empoeirado” porque “tinha muita gente diferenciada, de nível, mas é lógico, né, uma ou outra gentinha”.
A dentista do Aílton só ficou apavorada quando percebeu que Jéssica Neydiane, sua empregada, “meio lerda, coitada, mas uma leoa pra trabalhar”, havia comprado um celular, desses de passar o dedo, melhor do que o dela. –“É chinês ou paraguaio?” Perguntou com uma ponta de inveja que até o retardado do marido sabia identificar. - Uai, isso eu não sei dizer, não senhora, o moço da loja me garantiu que era o melhor que tinha e como eu já paguei a prestação da casa, meus filhos estão todos estudando nas escolas técnicas federais e o carro, a máquina de lavar e a televisão maior do que essa que tem aqui na sala da senhora já tá tudo pago, eu pensei: vou comprar um telefone desses de ficar passando o dedo, já fui até pra Cancun de avião e não gosto mesmo de viajar...”
“Ah, que ódio. Pobre andando de avião...”  Rosnou pra si mesma.
A dentista do Aílton jura que, se houver um novo governo do PT ela vai morar em Miami, aliás, como o advogado dela já ameaçou fazer.
Vote Dilma! Vote 13! Faça com que a dentista do Aílton, o advogado dela e o pessoal “diferenciado” amigo deles tenham uma boa viagem só de ida pra Miami.
Fora com essa canalha, o Brasil pra quem trabalha!

(PS.: Todos os personagens são reais. Um abraço pro Aílton e um pedido à dentista dele: não volte!)



[1] - Professor universitário. Trabalhador desde os 14 anos de idade. Tem orgulho de sua origem de classe.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

1456- Os argumentos econômicos eleitoreiros de 2014 - artigo da professora Delze Laureano

Os argumentos econômicos eleitoreiros de 2014.

Delze dos Santos Laureano[1]


Existe toda uma manipulação de informações  tentando convencer a todo custo que o Aécio Neves é a melhor opção para ocupar o cargo de presidente da República a partir de 1º de janeiro de 2015. O salvador da pátria vem agora travestido de administrador eficiente e de homem preparado para fazer a melhor política econômica para o Brasil.
Sobre o combate à corrupção e eficiência administrativa, sob a máscara de homem probo, trataremos em outros textos. Sobre a economia trataremos agora.
Dizem que o povo tem memória curta, então cabe lembrar que no governo Fernando Henrique Cardoso, também do PSDB, houve a chamada privataria tucana. Houve a maior entrega dos bens públicos ao grande capital nacional e internacional o que manteve os gastos públicos por algum tempo, mas cerca de 170 empresas estatais foram vendidas a preço vil. A venda da Vale do Rio Doce, sob forte protesto popular foi um crime até hoje não apurado devidamente. Em Minas o que fez o próprio Aécio e o seu sucessor com o chamado choque de gestão foi sucatear as empresas públicas e piorar ainda mais a prestação dos serviços públicos, especialmente a educação. Além de achatar os salários dos servidores estaduais diminuiu os cargos para os concursados. Os eletricitários, por exemplo, vêm denunciando as inúmeras mortes por acidentes de trabalho devido à terceirização dos serviços da CEMIG. Nos últimos 11 anos, mais de 110 desses trabalhadores foram mortos enquanto trabalhavam. Antes da terceirização não havia esse tipo de morte.
Por isso, neste pequeno artigo, quero tratar dos falaciosos argumentos econômicos que tentam dar crédito à candidatura tucana. Hoje mesmo já recebi diversas mensagens eufóricas dizendo que bastou o Aécio ir para o 2º  turno e já o dólar teria baixado e as ações da Petrobrás subido.   Ora, simplesmente essas pessoas repetiram o discurso manipulador sem saber o que de fato isso significa. Os que postaram nas redes sociais os argumentos não são economistas e nem se deram ao trabalho de estudar mais a fundo aquelas informações.
Sabemos que índices e indicadores econômicos de risco são manipulados ao interesse dos grupos financeiros  internacionais de modo a assegurar os seus ganhos, pois detêm o poder de dizer o que será risco e para onde serão direcionados os investimentos de maior retorno. Mas os riscos avaliados pelos consultores contratados não levam em conta o custo social dos danos ambientais, da vida de camponeses sem terra para cultivar, do aumento do custo e da qualidade dos alimentos quando as terras são tomadas pelo agronegócio para exportação , das famílias sem casa que sobram nas cidades desumanizadas pela especulação imobiliária, das crianças sem escola ou com ensino de péssima qualidade, das mães desamparadas, dos doentes abandonados, da previdência social saqueada, do transporte público de péssima qualidade.
Entretanto, basta lembrar que economia significa a administração do lar, pois vem esta palavra do grego: norma (nomia) da casa (oikia). A economia não é ciência exata. É uma ciência social que não é nem mais nem menos importante do que as demais  ciências. Não podem os economistas de plantão impor as suas verdades como querem. É certo que ninguém deseja o retorno da inflação ou o isolamento do Brasil no plano internacional, porque isso deixou de ser interessante até mesmo para o chamado mundo desenvolvido que há décadas atrás impôs aos chamados países subdesenvolvidos arrochos inflacionários mediante a cobrança de juros extorsivos nas dívidas contraídas em nome do desenvolvimento.
Mas o controle da inflação e as atividades econômicas nacionais não podem se dar à custa da dependência do país ao grande capital internacional. Esse que vem há muito saqueando a nossa força produtiva e esgotando os bens naturais para nos impor um único modo de vida vista como moderna. Chega de abaixarmos a cabeça para a lógica imperialista de mercado que parece ser invencível.
É o irritante e desgastado discurso sobre o humor do mercado, tão ao gosto dos comentaristas da mídia hegemônica. Tratam o mercado como um deus perigoso que deve ser alimentado e atendido em todos os seus caprichos, sob pena de descer sobre nós e nos destruir. Lembram-se do enorme zepelim da música Geni do Chico Buarque?
Um dia surgiu, brilhante,
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geleia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo: "Mudei de ideia!"
Quando vi  nesta cidade
Tanto horror e iniquidade
Resolvi tudo explodir
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir.
O medo é o que nos fazer ceder às imposições absurdas ou condenarmos os mais frágeis a fazê-lo. Depois teremos a consciência de termos sido mais uma vez apenas seviciados.
Não temos outra saída. Neste 2º turno das eleições presidenciais de 2014 temos de tomar posição. No âmbito econômico, de um lado ficarão os que apoiam, conscientes ou inconscientemente, o velho liberalismo econômico ou o agora travestido, e também velho, neoliberalismo. Aécio Neves, filho da velha oligarquia agrária mineira é o que melhor representa esse projeto. Esses que irão afirmar que a iniciativa privada é a única capaz de gerar riquezas e desenvolvimento. O que não dizem é que a riqueza será somente para os mesmos ricos e privilegiados. Não dizem, sobretudo, que quando o mercado vai à bancarrota, sempre sujeito às crises que ele mesmo cria, é o Estado que tem arcar com o prejuízo usando os recursos retirados da boca das criancinhas.
Do outro lado estarão, de mangas arregaçadas, os que acreditam na alteridade como respeito a todos os seres em igual dignidade, pessoas: independentemente da cor da pele, do lugar de nascimento – sudeste ou nordeste -, da idade e da cultura. Os que lutam por uma economia solidária e da necessária proteção da vida no planeta.
Esgotou-se o mito da autonomia individual (meritocracia), da linearidade da história (todos estaremos bem se seguirmos as regras que a modernidade e a ciência nos impõem) e do universal abstrato (idealismo) temas tão ao gosto dos defensores das políticas neoliberais. Temos de difundir a consciência de que só há vida em sociedade e que nenhum iluminado irá nos salvar de tanta iniqüidade, se não formos capazes, nós mesmos em união, de fazer a nossa sociedade mais justa, o que nos obriga, neste momento, para não retroceder, além de desconstruir os argumentos econômicos fundados em uma razão irracional, o compromisso de não assistirmos de braços cruzados a  manipulação da informação.


[1] Mestra em Direito Constitucional pela UFMG; Doutora em Direito Público Internacional pela PUC/Minas; Professora – voluntária - de Direito Agrário na UFMG; Integrante da RENAP (Rede Nacional de Advogados Populares); email: delzesantos@hotmail.com.

1455- Para escolher melhor nas eleições

As campanhas eleitorais no Brasil são, a cada eleição, piores. No lugar de debater ideias, projetos, realizações as pessoas se agridem. Não tem sentido transformar o debate eleitoral em questão de polícia. Se há corrupção a Polícia tem que investigar e o Judiciário julgar. Isto não é assunto de eleição. Nas eleições devemos pensar em um projeto de país, em ideologias, em realizações efetivas.

Acusações sem provas é crime.

Segue uma contribuição para pensarmos o Brasil e o que foi feito nos últimos 12 anos. São dados sobre realizações. Fatos. Vamos melhorar o nível do debate para que possamos escolher o melhor para nosso país.

Comparando o Brasil

Você tem o direito de saber.
Até 2002 com o PSDB e em 2013 com o PT

1. Produto Interno Bruto:

2002 – R$ 1,48 trilhões
2013 – R$ 4,84 trilhões

2. PIB per capita:
2002 – R$ 7,6 mil
2013 – R$ 24,1 mil

3. Dívida líquida do setor público:
2002 – 60% do PIB
2013 – 34% do PIB

4. Lucro do BNDES:

2002 – R$ 550 milhões
2013 – R$ 8,15 bilhões

5. Lucro do Banco do Brasil:
2002 – R$ 2 bilhões
2013 – R$ 15,8 bilhões

6. Lucro da Caixa Econômica Federal:
2002 – R$ 1,1 bilhões
2013 – R$ 6,7 bilhões

7. Produção de veículos:
2002 – 1,8 milhões
2013 – 3,7 milhões

8. Safra Agrícola:
2002 – 97 milhões de toneladas
2013 – 188 milhões de toneladas

9. Investimento Estrangeiro Direto:
2002 – 16,6 bilhões de dólares
2013 – 64 bilhões de dólares

10. Reservas Internacionais:
2002 – 37 bilhões de dólares
2013 – 375,8 bilhões de dólares

11. Índice Bovespa:
2002 – 11.268 pontos
2013 – 51.507 pontos

12. Empregos Gerados:
Governo FHC – 627 mil/ano
Governos Lula e Dilma – 1,79 milhões/ano

13. Taxa de Desemprego:
2002 – 12,2%
2013 – 5,4%

14. Valor de Mercado da Petrobras:
2002 – R$ 15,5 bilhões
2014 – R$ 104,9 bilhões

15. Lucro médio da Petrobras:
Governo FHC – R$ 4,2 bilhões/ano
Governos Lula e Dilma – R$ 25,6 bilhões/ano

16. Falências Requeridas em Média/ano:
Governo FHC – 25.587
Governos Lula e Dilma – 5.795

17. Salário Mínimo:
2002 – R$ 200 (1,42 cestas básicas)
2014 – R$ 724 (2,24 cestas básicas)

18. Dívida Externa em Relação às Reservas:
2002 – 557%
2014 – 81%

19. Posição entre as Economias do Mundo:
2002 – 13ª
2014 – 7ª

20. PROUNI – 1,2 milhões de bolsas

21. Salário Mínimo Convertido em Dólares:
2002 – 86,21
2014 – 305,00

22. Passagens Aéreas Vendidas:
2002 – 33 milhões
2013 – 100 milhões

23. Exportações:
2002 – 60,3 bilhões de dólares
2013 – 242 bilhões de dólares

24. Inflação Anual Média:
Governo FHC – 9,1%
Governos Lula e Dilma – 5,8%

25. PRONATEC – 6 Milhões de pessoas

26. Taxa Selic:
2002 – 18,9%
2012 – 8,5%

27. FIES – 1,3 milhões de pessoas com financiamento universitário

28. Minha Casa Minha Vida – 1,5 milhões de famílias beneficiadas

29. Luz Para Todos – 9,5 milhões de pessoas beneficiadas

30. Capacidade Energética:
2001 – 74.800 MW
2013 – 122.900 MW

31. Criação de 6.427 creches

32. Ciência Sem Fronteiras – 100 mil beneficiados

33. Mais Médicos (Aproximadamente 14 mil novos profissionais): 50 milhões de beneficiados

34. Brasil Sem Miséria – Retirou 22 milhões da extrema pobreza

35. Criação de Universidades Federais:
Governos Lula e Dilma – 18
Governo FHC - zero

36. Criação de Escolas Técnicas:
Governos Lula e Dilma – 214
Governo FHC - 0
De 1500 até 1994 – 140

37. Desigualdade Social:
Governo FHC - Queda de 2,2%
Governo PT – Queda de 11,4%

38. Produtividade:
Governo FHC - Aumento de 0,3%
Governos Lula e Dilma – Aumento de 13,2%

39. Taxa de Pobreza:
2002 – 34%
2012 – 15%

40. Taxa de Extrema Pobreza:
2003 – 15%
2012 – 5,2%

41. Índice de Desenvolvimento Humano:
2000 – 0,669
2005 – 0,699
2012 – 0,730

42. Mortalidade Infantil:
2002 – 25,3 em 1000 nascidos vivos
2012 – 12,9 em 1000 nascidos vivos

43. Gastos Públicos em Saúde:
2002 – R$ 28 bilhões
2013 – R$ 106 bilhões

44. Gastos Públicos em Educação:
2002 – R$ 17 bilhões
2013 – R$ 94 bilhões

45. Estudantes no Ensino Superior:
2003 – 583.800
2012 – 1.087.400

46. Risco Brasil (IPEA):
2002 – 1.446
2013 – 224

47. Operações da Polícia Federal:
Governo FHC - 48
Governo PT – 1.273 (15 mil presos)

48. Varas da Justiça Federal:
2003 – 100
2010 – 513

49. 38 milhões de pessoas ascenderam à Nova Classe Média (Classe C)

50. 42 milhões de pessoas saíram da miséria

FONTES:
47/48 - http://www.dpf.gov.br/agencia/estatisticas
39/40 - http://www.washingtonpost.com
42 – OMS, Unicef, Banco Mundial e ONU
37 – índice de GINI: www.ipeadata.gov.br
45 – Ministério da Educação
13 – IBGE
26 – Banco Mundial

sábado, 4 de outubro de 2014

1454- Palestra na Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre o Novo Constitucionalismo Democrático Latino Americano

Palestra na Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre o Novo Constitucionalismo Democrático Latino Americano:

1452- O novo constitucionalismo democrático latino-americano - Conferência Escola do Legislativo - ALEMG - Professor José Luiz Quadros de Magalhães

O novo constitucionalismo democrático latino-americano - Conferência  Escola do Legislativo - ALEMG - Professor José Luiz Quadros de Magalhães:
1- PARTE 1:
2- PARTE 2:
3- PARTE 3:
4- PARTE 4:
5- PARTE 5:
6- PARTE 6:

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

terça-feira, 23 de setembro de 2014

1449- Artigo de Leonardo Boff - Contra a imbecilidade do atual anticomunismo

Contra a imbecilidade do atual anticomunismo

17/12/2013 - LEONARDO BOFF
Mauro Santayana é um dos jornalistas mais eruditos do jornalismo brasileiro. Sempre comprometido com causas humanitárias, contundente e dotado de um estilo de grande elegância. Somos colegas como colunistas do Jornal do Brasil-on line. Recentemente, no dia 17/12/2013, publicou um artigo sob o título HAMEUS PAPAM  com o qual me identifiquei imediantamente. Sofro ataques imbecis de que sou comunista e marxista, como se para um teólogo com 50 anos de atividade, fosse uma banalidade fazer esta acusação. Sou cristão, teólogo e escritor. Marx nunca foi pai nem padrinho da Teologia da Libertação que ajudei a formular. O atual anticomunismo  revela a anemia de espírito e a pobreza de pensamento  que  estão prevalecendo como disfarce para esconder o desastre que significa a economia de mercado, altamente predadora da natureza e agressora de todo tipo de direitos humanos e agora numa crise da qual não sabem como sair. Há tempos o Zürcher Zeitung, o maior jornal suiço e pouco depois o Times diziam que o autor mais lido hoje é Marx. Não só por estudiosos, mas por banqueiros e financistas conscientes que querem saber por que seu sistema foi a falência e por que tem tantas dificuldades em sair dele, se é que encontram uma saída que não signifique mais sacrifício para a natureza (injustiça ecológica) e para a humanidade já sofredora (injustiça social). Hoje mais e mais se percebe que este sistema é anti-vida, anti-democracia e anti-Terra. Se não cuidarmos poderá nos levar a um abismo fatal. É uma reflexão que faço contra meus acusadores gratuitos e faltos de razão. Penso às vezes que Einstein tinha razão quando disse:”Existem dois infinitos:um do universo e outro dos estúpidos; do primeiro tenho dúvidas, do segundo, absoluta certeza”. Estimo que muitos dos anticomunistas atuais se inscrevem nesse segundo infinito. É fácil serrar árvore caída e covardia chutar cachorro morto. Pensemos, antes, no presente com sentido de responsabilidade, unidos face a um feixe de crises que nos poderá levar a uma tragédia ecológico-social. Como fazer tudo para evitá-la e garantir um futuro comum para todos, inclusive para a nossa civilização e para nossa Casa Comum. Essa é a questão maior a ser pensada e sobre ela inaugurar práticas salvadoras e não distrair-se com discutir um comunismo inexistente, morto e sepultado. LBoff
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Habemus Papam
Acusado por um conservador norte-americano de ser marxista, Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, negou sê-lo, mas disse que não se sentia ofendido, por ter conhecido ao longo de sua vida muitos marxistas que eram boas pessoas.
A declaração do papa, evitando atacar ou demonizar os marxistas, e atribuindo-lhes a condição de comuns mortais, com direito a ter sua visão de mundo e a defendê-la, é extremamente importante, no momento que estamos vivendo agora.

A ascensão irracional do anticomunismo mais obtuso e retrógrado, em todo o mundo — no Brasil, particularmente, está ficando chique ser de extrema direita — baseia-se em manipulação canalha, com que se tenta, por todos os meios, inverter e distorcer a história, a ponto de se estar criando uma absurda realidade paralela.
Estabelecem-se, financiados com dinheiro da direita fundamentalista, “museus do comunismo”; surgem por todo mundo, como nos piores tempos da Guerra Fria, redes de organizações anticomunistas, com a desculpa de se defender a democracia; atribuem-se, alucinadamente, de forma absolutamente fantasiosa, 100 milhões de mortos ao comunismo.
Busca-se associar, até do ponto de vista iconográfico, o marxismo ao nacional-socialismo, quando, se não fossem a Batalha de Stalingrado, em que os alemães e seus aliados perderam 850 mil homens, e a Batalha de Berlim, vencidas pelas tropas do Exército Vermelho — que cercaram e ocuparam a capital alemã e obrigaram Hitler a se matar, como um rato, em seu covil — a Alemanha nazista teria tido tempo de desenvolver sua própria bomba atômica e não teria sido derrotada.
Quem compara o socialismo ao nazismo, por uma questão de semântica, se esquece de que, sem a heroica resistência, o complexo industrial-militar, e o sacrifício dos povos da União Soviética — que perdeu na Segunda Guerra Mundial 30 milhões de habitantes — boa parte dos anticomunistas de hoje, incluídos católicos não arianos e sionistas, teriam virado sabão nas câmaras de gás e nos fornos crematórios de Auschwitz, Birkenau e outros campos de extermínio.
Espalha-se, na internet — e um monte de beócios, uns por ingenuidade, outros por falta de caráter mesmo, ajudam a divulgar isso — que o Golpe Militar de 1964 — apoiado e financiado por uma nação estrangeira, os Estados Unidos — foi uma contrarrevolução preventiva. O país era governado por um rico proprietário rural, João Goulart, que nunca foi comunista. Vivia-se em plena democracia, com imprensa livre e todas as garantias do Estado de Direito, e o povo preparava-se para reeleger Juscelino Kubitscheck presidente da República em 1965.

1964 foi uma aliança de oportunistas. Civis que há anos almejavam chegar à Presidência da República e não tinham votos para isso, segmentos conservadores que estavam alijados dos negócios do governo e oficiais — não todos, graças a Deus — golpistas que odiavam a democracia e não admitiam viver em um país livre.
Em um mundo em que há nações, como o Brasil, em que padres fascistas pregam abertamente, na internet e fora dela, o culto ao ódio, e a mentira da excomunhão automática de comunistas, as declarações do papa Francisco, lembrando que os marxistas são pessoas normais, como quaisquer outras — e não são os monstros apresentados pela extrema-direita fundamentalista e revisionista sob a farsa do “marxismo cultural” — representam um apelo à razão e um alento.
Depois de anos dominada pelo conservadorismo, podemos dizer, pelo menos até agora, que Habemus Papam, com a clareza da fumaça branca saindo, na Praça de São Pedro, em dia de conclave, das veneráveis chaminés do Vaticano.
Um Papa maiúsculo, preparado para fortalecer a Igreja, com o equilíbrio e o exemplo do Evangelho, e a inteligência, o sorriso, a determinação e a energia de um Pastor que merece ser amado e admirado pelo seu rebanho.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014