Programa Controvérsia da Rádio Sinpro com o professor José Luiz Quadros de Magalhães
1- O que é meritocracia:
https://soundcloud.com/user-949101415/controversia-meritocracia
2- O que é fascismo:
https://soundcloud.com/user-949101415/controversia-fascismo
3- Liberdade de Opinião - o planeta Terra e plano?
http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-liberdade-de-opiniao/
Um espaço para pensar e discutir política, direito, arte e qualquer outro assunto que nos permita buscar desocultar o que querem insistentemente esconder.
domingo, 11 de novembro de 2018
quarta-feira, 7 de novembro de 2018
1686- UMA CONVERSA COM OS IRMÃOS UMBANDISTAS: as eleições como provação para o crescimento espiritual - texto de Paulo Henrique Borges da Rocha
UMA
CONVERSA COM OS IRMÃOS UMBANDISTAS: as eleições como provação para o
crescimento espiritual
Irmãos sabemos que a
Umbanda tem elementos de várias religiões, mas mesmo assim ela é uma religião
independente que tem seus próprios dogmas e rituais. É uma religião diversa,
onde nada nem ninguém é excluído, ao contrário todos que tiverem algo a
acrescentar são bem-vindos.
Mas não quero conversar
hoje sobre a espiritualidade de nossa religião. Hoje quero conversar sobre a
história e os riscos que corremos por sermos umbandistas.
SIM! Corremos risco só
pelo fato de sermos umbandistas e seguirmos nossa fé.
Nossa história é uma
história de perseguição. Desde 1908, ano em que nossa religião foi revelada
pelas entidades para nós (seres encarnados), que somos perseguidos.
Em 1908 o Estado Brasileiro não era um estado realmente laico, mesmo com o Decreto 119-A de 1890 decretando a separação entre o Estado e a Igreja. A igreja Católica era muito influente no Estado e na sociedade. Utilizando essa influência ela perseguia as demais denominações religiosas. A Umbanda foi considerada como sendo magia negra, que era crime à época. Assim seus integrantes poderiam ser presos e até mortos.
Em 1908 o Estado Brasileiro não era um estado realmente laico, mesmo com o Decreto 119-A de 1890 decretando a separação entre o Estado e a Igreja. A igreja Católica era muito influente no Estado e na sociedade. Utilizando essa influência ela perseguia as demais denominações religiosas. A Umbanda foi considerada como sendo magia negra, que era crime à época. Assim seus integrantes poderiam ser presos e até mortos.
Quando não temos um
Estado laico temos o risco de sofrer com esse tipo de perseguição.
A Umbanda já nasceu sendo excluída, nasceu com a população mais humilde, ao lado das pessoas mais necessitada, surgiu do amor e da caridade.
A Umbanda já nasceu sendo excluída, nasceu com a população mais humilde, ao lado das pessoas mais necessitada, surgiu do amor e da caridade.
Mas atualmente vivemos em
um país laico(?). Sabemos que o Brasil é um país violento e intolerante. E
continuamos sofrendo com a perseguição das pessoas intolerantes e dos
fundamentalistas religiosos que pregam uma guerra santa. Isso é de fácil
constatação como vemos quantos terreiros são queimados e quantos irmãos são
agredidos verbal e/ou fisicamente. Eu mesmo, por várias vezes, fui agredido
verbalmente. Graças a Olórun não fui agredido fisicamente nem meu terreiro foi
invadido (mas tenho esse receio diariamente).
A nossa luta por
reconhecimento e respeito é diária. Um exemplo é que só em 2016 o governo
federal editou uma norma que incluía os terreiros de Umbanda como sendo um
templo religioso e sendo assim teria direito a isenção fiscal do IPTU. Antes
disso cabia às prefeituras dizer se concederiam isenção ou não. Lembrando que
esse direito é garantido na constituição federal de 1988 a todos os templos
religiosos.
Mas estamos em risco.
Temos a possibilidade de
vermos a nossa perseguição aumentar exponencialmente.
Isso pode ocorrer a
depender do desfecho das eleições presidenciais.
Nossa religião foi
perseguida pelo Estado e pela sociedade durante todo o período em que o Estado
se confundia com a Igreja Católica. E de certa forma ainda é perseguida.
Mas agora a ameaça é
outra. Mas com o mesmo problema.
Quando o candidato a
presidência Jair Bolsonaro diz: "Como somos um país cristão; Deus acima de
tudo! Não tem essa historinha de estado laico não, é estado cristão! E a
minoria que for contra que se mude! Vamos fazer o Brasil para as maiorias e as
minorias têm que se curvar as maiorias! As leis devem existir para defender as
maiorias, as minorias se adequam, ou simplesmente desapareçam!". Ele
demonstra que deseja voltar à época de perseguição. E mais que isso, revela sua
intenção, a partir do Estado e de seus seguidores, de exterminar todas as
pessoas que seguem alguma religião não cristã. Ou seja, ele literalmente ameaça
a vida de todos os irmãos umbandistas. Pois, ou nós nos mudamos de país, ou
mudamos de religião ou devemos desaparecer.
Estamos em risco, risco
de morte.
Não minimizarei a fala do
candidato, pois quando Hitler ascendeu ao poder na Alemanha os judeus
acreditaram que as instituições democráticas o impediria de os perseguir. Como
sabemos as instituições foram utilizadas para perseguir os judeus. Não estou
comparando Bolsonaro com Hitler, até porque cada um deles é homem do seu tempo.
Não acho correta nem honesta tal comparação. Só trouxe um fato histórico para
corroborar com minha preocupação. Eu poderia trazer outros, como por exemplo a
história do Reino do Congo após a conversão de Nkuwu Nzinga ou Rei João I ao
cristianismo.
Mas se o irmão ainda
assim quer arriscar e prefere acreditar nas instituições tenho outros motivos
para não votarmos em uma pessoa como ele.
Ele é o oposto de tudo
que pregamos em nossa vivência religiosa. Uma pessoa que deseja excluir, caçar,
subjugar, violentar, inferiorizar, etc. os negros, as mulheres, os LGBTs,
indígenas e qualquer pessoa ou grupo de pessoas que ele julga como sendo
impróprio para viver na sociedade. Ele age com ódio. Nós irmãos agimos com
amor. Estamos aqui para ajudar as pessoas independente de quem ou o que elas
sejam. Nós não estamos encarnados para julgar o irmão, pois ele tem a própria
batalha para se elevar espiritualmente.
Nossa religião nasceu com/dos excluídos, na verdade somos uma das minorias excluídas até hoje em nossa sociedade.
Nossa religião nasceu com/dos excluídos, na verdade somos uma das minorias excluídas até hoje em nossa sociedade.
Devemos sempre lembrar
que vários de nossos guias sofreram com a exclusão enquanto estavam encarnados.
Devemos ser fiéis a nossa
fé. Esse é um momento de provação, onde podemos crescer espiritualmente. Não
destile ódio, multiplique amor.
Quando Bolsonaro fala que
defende a família brasileira (lembrando que para ele nós somos inimigos desta
família), mas ao mesmo tempo discrimina a maior parte da população. Ele
demonstra que a família para ele são os iguais. Mas aprendemos com nossa
religião que todos somos irmãos. Então devemos defender a família brasileira!
Defender a família brasileira de quem quer exterminar parte dela, de quem que
semear o ódio entre irmãos.
Sabíamos que este seria
um ano de provações, seria um ano difícil. Isso porque teríamos de lidar com
nossos erros do passado. Esse ano é ano de Xangô. Ele com seu machado é sempre
justo. Este ano é um ano perfeito para promovermos a nossa evolução espiritual
e mostrar que em nós cabe amor e não ódio.
No dia 28/10 devemos
votar contra a pessoa que deseja nos perseguir, nos matar, dividir a família
brasileira, colocar irmão contra irmão, semear o ódio e a violência. Devemos
votar em Haddad, não necessariamente por gostar dele, menos ainda por gostar do
partido dele. Mas para que possamos sobreviver. Para que possamos professar
nossa fé. Para que não tenhamos medo só por existirmos. Para que possamos
continuar a ajudar as pessoas. Para que nenhum irmão seja perseguido ou
violentado. Lembrando que mesmo com a vitória de Haddad nós continuaremos
lutando por igualdade. Haddad é a única possibilidade de nos posicionarmos
contra o nosso extermínio.
Que todos tenham muito
axé na vida!
Discurso do Bolsonaro
citado no texto vide:
https://www.youtube.com/watch?v=BCkEwP8TeZY
Paulo Henrique Borges da
Rocha
O autor tem mais de dez
anos na religião Umbanda; Formado no curso de Teologia Umbanda pelo Templo
Escola Ogum Sete Espadas; Doutorando em Direito Internacional pela PUC/MG;
Mestre em Direito Constitucional pela FDSM; Pesquisador jurídico; Professor
Universitário e advogado.
terça-feira, 6 de novembro de 2018
1685- Livro em pdf do Congresso Internacional sobre Democracia, Decolonialidade e Direitos Humanos
Livro em pdf do Congresso Internacional sobre Democracia, Decolonialidade e Direitos Humanos:
Texto do professor José Luiz Quadros de Magalhães na página 207.
https://docs.wixstatic.com/ugd/819a51_7b7fceedc524462fb2f77a82f9d64384.pdf
Texto do professor José Luiz Quadros de Magalhães na página 207.
https://docs.wixstatic.com/ugd/819a51_7b7fceedc524462fb2f77a82f9d64384.pdf
domingo, 4 de novembro de 2018
1684- Encontro da Red por el constitucionalismo democrático em Bogotá
Encontro da Red por el constitucionalismo democrático em Bogotá:
Palestra do professor Jose Luiz Quadros de Magalhães aos 55 minutos
Parte 1- https://www.youtube.com/watch?v=CxKe_a1Hbqw&feature=share&fbclid=IwAR2bTK-2Utnbw4Aq8k1kzfs67RTpG0Hj-iVtPIl5jrPPfSd5Dc12UEmTUts
Palestra do professor Jose Luiz Quadros de Magalhães aos 55 minutos
Parte 1- https://www.youtube.com/watch?v=CxKe_a1Hbqw&feature=share&fbclid=IwAR2bTK-2Utnbw4Aq8k1kzfs67RTpG0Hj-iVtPIl5jrPPfSd5Dc12UEmTUts
sábado, 3 de novembro de 2018
1683- Programa Palavra Cruzada: eleições presidenciais 2018 - com o professor José Luiz Quadros de Magalhães
Programa Palavra Cruzada: eleições presidenciais 2018 - com o professor José Luiz Quadros de Magalhães
https://www.youtube.com/watch?v=r-EdUKb0DNo&feature=youtu.be
https://www.youtube.com/watch?v=r-EdUKb0DNo&feature=youtu.be
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
1682- Programa Opinião Minas com o professor José Luiz Quadros de Magalhães
Programa Opinião Minas com o professor José Luiz Quadros de Magalhães
https://www.youtube.com/watch?v=WW-E_6YNfw0
Programa Controvérsias com o professor José Luiz Quadros de Magalhães
http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-o-que-e-fascismo/
https://www.youtube.com/watch?v=WW-E_6YNfw0
Programa Controvérsias com o professor José Luiz Quadros de Magalhães
http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-o-que-e-fascismo/
1681- Programa Radiografia - eleições presidenciais 2018
Programa Radiografia - eleições presidenciais 2018
https://www.youtube.com/watch?v=GJ9HXItMZyQ&fbclid=IwAR1cuEIt28UvItX4Qwa9AQaXc74dKklgGSrylSmefNUE9yvZpRyuSpt1O-Y
https://www.youtube.com/watch?v=GJ9HXItMZyQ&fbclid=IwAR1cuEIt28UvItX4Qwa9AQaXc74dKklgGSrylSmefNUE9yvZpRyuSpt1O-Y
terça-feira, 23 de outubro de 2018
1679- 30 anos da Constituição - Mundo Político com o professor José Luiz Quadros de Magalhães
30 anos da Constituição - Mundo Político com o professor José Luiz Quadros de Magalhães
https://www.youtube.com/watch?v=Exu7LI1eA70&feature=share
https://www.youtube.com/watch?v=Exu7LI1eA70&feature=share
domingo, 23 de setembro de 2018
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
1677- Entrevista do Professor José Luiz Quadros de Magalhães para a Revista IHU Unisinos
1677- Entrevista do Professor José Luiz Quadros de Magalhães para a Revista IHU Unisinos
http://www.ihu.unisinos.br/159-noticias/entrevistas/577944-a-emergencia-de-um-novo-constitucionalismo-para-alem-do-estado-moderno-entrevista-especial-com-jose-luiz-quadros-de-magalhaes
http://www.ihu.unisinos.br/159-noticias/entrevistas/577944-a-emergencia-de-um-novo-constitucionalismo-para-alem-do-estado-moderno-entrevista-especial-com-jose-luiz-quadros-de-magalhaes
1676- Lula, preso político.
Programas Controvérsia com o professor José Luiz Quadros de Magalhães
1- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/a-questionavel-atuacao-do-supremo-tribunal-federal/
1- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-lula-preso-politico/
1- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/a-questionavel-atuacao-do-supremo-tribunal-federal/
1- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-lula-preso-politico/
quinta-feira, 26 de julho de 2018
1675- Crise do Poder Judiciário com o professor José Luiz Quadros de Magalhães
1) Programa Mundo Político da TV Assembleia com o professor José Luiz Quadros de Magalhães
https://www.youtube.com/watch?v=vX9FfcK0Cbw&feature=share
2) Programa Cena Política da TV BH News com os professores José Luiz Quadros de Magalhães e Dimas Antonio de Souza
https://www.youtube.com/watch?v=aQ0sr5coXZU
https://www.youtube.com/watch?v=vX9FfcK0Cbw&feature=share
2) Programa Cena Política da TV BH News com os professores José Luiz Quadros de Magalhães e Dimas Antonio de Souza
https://www.youtube.com/watch?v=aQ0sr5coXZU
sexta-feira, 13 de julho de 2018
segunda-feira, 2 de julho de 2018
sexta-feira, 29 de junho de 2018
1672- Livro- Entrelaçando Redes - para leitura ou download gratuito
Livro- Entrelaçando Redes - para leitura ou download gratuito
O ebook do livro já está disponível para download em todas as nossas lojas parceiras, segue o link de algumas:
Entrelaçando Redes: Reflexões Sobre Atenção a Usuários de Álcool, Crack e Outras Drogas eBook Kindle
por Cristiane Miryam Drumond de Brito (Autor), Lívia Napoli Afonso (Autor), Leonardo Zenha Cordeiro (Autor), & 1mais
O CRR-EEFFTO-UFMG apresenta de forma clara como construiu suas intervenções, tendo a sensibilidade de aproximar a gestão e os serviços para escutar as reais necessidades da região. Essa iniciativa promove uma aproximação desejada, mas nem sempre efetivada, entre as universidades e os serviços. Constatamos que quase não temos, nas graduações da saúde e de humanas, disciplinas que promovam a discussão sobre a questão do uso e abuso de álcool e outras drogas. Este livro mostra a importância de suprir essa lacuna. Ter como base teórica as ideias, de educação para libertação e para autonomia, de Paulo Freire, nos aponta em que direção os diversos profissionais envolvidos no projeto deste livro apresentam o que foi executado. E aliás, na atenção ao usuário de álcool e outras drogas, do que se trata é do incentivo à autonomia e à responsabilização. Os leitores terão ótimas contribuições de como podem promover a educação permanente em suas regiões e contribuir para uma real assistência ao público-alvo historicamente negligenciado: os usuários de álcool e outras drogas e seus familiares. Esperamos que a leitura promova as reflexões necessárias aos profissionais e aos gestores e ao lê-lo, valorizem e incentivem a Senad/MJ a dar continuidade às atividades dos CRRs em todo país. (Raquel Martins Pinheiro)
terça-feira, 26 de junho de 2018
1671- Novos programas Controvérsia da Rádio Sinpro Minas
Novos programas Controvérsia da Rádio Sinpro Minas:
1- https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-manifestacao-e-preciso-profanar
2- https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-identidade-de-genero
3- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-desmonte-do-estado-brasileiro/
4- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-caminhos-para-se-combater-a-violencia/
5- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-justica-dois-pesos-duas-medidas/
6- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/cinema-em-controversia-colony/
7- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-tempos-sombrios/
8- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-o-retorno-a-idade-media/
9- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-intervencao-no-rio-de-janeiro-2/
1- https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-manifestacao-e-preciso-profanar
2- https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-identidade-de-genero
3- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-desmonte-do-estado-brasileiro/
4- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-caminhos-para-se-combater-a-violencia/
5- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-justica-dois-pesos-duas-medidas/
6- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/cinema-em-controversia-colony/
7- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-tempos-sombrios/
8- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-o-retorno-a-idade-media/
9- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-intervencao-no-rio-de-janeiro-2/
sábado, 26 de maio de 2018
1670- É possível ouvir, observar, pensar, criar e agir ao mesmo tempo. Porque não fazermos isto agora?
É possível ouvir, observar, pensar,
criar e agir ao mesmo tempo. Porque não fazermos isto agora?
José Luiz Quadros de Magalhães
Presidente da Rede para um
constitucionalismo democrático na América Latina
É possível ouvir, observar, pensar,
criar e agir ao mesmo tempo. Porque não fazermos isto agora?
A greve dos caminhoneiros autônomos,
seguido de locaute de empresas de transporte e adesão de outros trabalhadores
autônomos, deixou muitas pessoas desnorteadas, à direita e a esquerda. Muitos
textos analíticos, em direções interpretativas distintas têm sido produzidos e
ajudam a montar o quebra cabeça.
Primeiro, o que podemos extrair de
tudo isso é um grande mal-estar. Há um grande mal-estar e uma vontade grande de
uma explosão que acabe com ele: o mal-estar oculto. Como em 2013, as pessoas
apontam para as questões visíveis que nos incomodam, e apontamos culpados. O
dedo indicador vai em todas as direções, da direita à esquerda: a culpa é do Temer;
da Dilma; da direita; da esquerda; do neoliberalismo; do comunista; do Lula; do
conservador; da ignorância, e assim continua. Isso é muito comum: identificamos
um ou vários fatos que nos oprimem e apontamos o dedo para alguém. Ora, parece
claro que foi fulano, mas, nunca foi. O culpado (ou o responsável) nunca é
aquele para quem apontamos o dedo primeiro (ou com certeza não é só ele), por
isso é preciso pensar, analisar, observar.
O sistema “moderno” vem dando sinais
claros de esgotamento.
Mas não podemos ficar só observando.
Há uma guerra ideológica em curso. Uma guerra hibrida, econômica, cultural,
ideológica, psicológica, uma guerra por construção de explicações do mundo e
indicação de “culpados”. Precisamos participar, intervir, agir rápido, pelo
menos para não permitir a hegemonia de um discurso falso. Mesmo que seja, por
enquanto, apenas para apontar as inconsistências e mentiras produzidas pela
guerra ideológica. É necessário agir.
Não vou aqui entrar, na já irritante
e diária “mea culpa” da esquerda. Me lembra uma oração que aprendi pequeno na
escola católica: “minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa”. Confesso
que ando irritado com tanta autocrítica. Aprendemos com a história, precisamos
perdoar, inclusive a nós mesmos, e perceber que pode ter sido o possível
naquele momento. Acredito que nesse momento, é preciso ouvir. Ao mesmo tempo
que disputamos narrativas denunciando a mentira e manipulação, precisamos ouvir
o que as pessoas estão falando. Precisamos entender o sentimento do
caminhoneiro, do jovem de periferia que não quer patrão e se sente empreendedor,
precisamos entender o sentimento das pessoas, do cidadão dito não politizado. Daqueles
que não estão filiados aos partidos políticos. Ouvir suas palavras e seus
sentimentos, inclusive o sentimento de raiva. É preciso parar de colocar palavras
e soluções em suas bocas, e que não chegam em suas mentes, e principalmente,
especialmente, não chegam em seus corações. Precisamos construir soluções
conjuntamente. Resgatar o comum.
É preciso criar. O sistema moderno
afundou. O Estado, o capitalismo, a democracia representativa, o judiciário,
estão em uma crise que demonstra a incapacidade dessas ideias e instituições
responderem às necessidades de um mundo em profunda transformação. É preciso
criar. Não dá mais para remendar isso aí. A democracia constitucional
representativa com seu aparato judicial sempre foi um teatro, agora revelado. A
parcialidade do sistema sempre esteve presente nas vidas dos pobres e
trabalhadores, parcialidade e brutalidade que parecem para muitos uma novidade.
Precisamos de outra coisa, outra forma de solucionar os conflitos (necessários
na nossa vida). Precisamos de outra forma de construir nosso dia a dia.
Precisamos de falar de novo em ética e de uma sociedade sem punição e cárcere.
É necessário ousar.
Por último, por enquanto, é preciso
profanar. Infiltrar e profanar. Ocupar os poderes, ocupar a economia, e fazer
de forma distinta. Lembrando o filósofo Giorgio Agambem, profanar significa
ignorar os usos congelados, pré-determinados, ignorar os mitos que sustentam os
ritos e dar novos usos às palavras, ideias e instituições. Ou por que não,
acabar com elas, as instituições modernas. Um prédio que serve ao cárcere pode
servir para abrigar livros, ou, melhor, pode dar lugar a um parque onde
possamos correr livres, todos.
sexta-feira, 23 de março de 2018
sábado, 24 de fevereiro de 2018
1668- Livro em pdf gratuito do professor José Luiz Quadros de Magalhães
1668- Livro em pdf gratuito do professor José Luiz Quadros de Magalhães
https://www.ucs.br/site/midia/arquivos/pensamento_pos.pdf
https://www.ucs.br/site/midia/arquivos/pensamento_pos.pdf
1667- Livros do professor José Luiz Quadros de Magalhães
1667- Livros do professor José Luiz Quadros de Magalhães
https://indicalivros.com/pdf/direito-constitucional-tomo-3-jose-luiz-quadros-de-magalhaes#_=_
https://indicalivros.com/pdf/direito-constitucional-tomo-3-jose-luiz-quadros-de-magalhaes#_=_
1665- Sociabilidade na contemporaneidade: porque os tempos estão mundando
“Sociabilidade na contemporaneidade: porque os tempos estão mudando” e “Startup Road Show” com José Luiz de Magalhães e empreendedores de startups
1664- Artigo sobre o Estado plurinacional e o direito internacional - José Luiz Quadros de Magalhães e Henrique Weil Afonso
1664- Artigo sobre o Estado plurinacional e o direito internacional - José Luiz Quadros de Magalhães e Henrique Weil Afonso
http://www.scielo.org.mx/pdf/amdi/v12/v12a13.pdf
http://www.scielo.org.mx/pdf/amdi/v12/v12a13.pdf
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
1663- Golpes de estado sofisticados - com José Luiz Quadros de Magalhães
1663- Golpes de estado sofisticados - com José Luiz Quadros de Magalhães
https://jornalggn.com.br/noticia/atualmente-os-golpes-de-estado-sao-mais-sofisticados-por-jose-luiz-quadros
https://jornalggn.com.br/noticia/atualmente-os-golpes-de-estado-sao-mais-sofisticados-por-jose-luiz-quadros
1662- Entrevista com o professor José Luiz Quadros de Magalhães sobre a decisão do TRF4
1662- Entrevista com o professor José Luiz Quadros de Magalhães sobre a decisão do TRF4
http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2018/01/saida-para-a-condenacao-de-lula-nao-e-mais-juridica-diz-professor
http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2018/01/saida-para-a-condenacao-de-lula-nao-e-mais-juridica-diz-professor
1660- Entrevista com o professor José Luiz Quadros de Magalhães sobre as eleições 2018
1660- Entrevista com o professor José Luiz Quadros de Magalhães sobre as eleições 2018
Programa TV PUC Minas - Espaço PUC
https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=LuKierKGp_M
Programa TV PUC Minas - Espaço PUC
https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=LuKierKGp_M
sábado, 6 de janeiro de 2018
1659- Programa Diálogos Possíveis - TV ALEMG
Diálogos Possíveis sobre Justiça no Brasil
com José Luiz Quadros de Magalhães
https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=UcPWmzb26xc
com José Luiz Quadros de Magalhães
https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=UcPWmzb26xc
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
1658- Direito ao Esquecimento: Entrevista com o professor José Luiz Quadros de Magalhães na TV ALEMG
1658- Direito ao Esquecimento: Entrevista com o professor José Luiz Quadros de Magalhães na TV ALEMG
https://www.almg.gov.br/acompanhe/tv_assembleia/videos/index.html?idVideo=1218184&cat=91
https://www.almg.gov.br/acompanhe/tv_assembleia/videos/index.html?idVideo=1218184&cat=91
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
1657- Novos programas Controvérsia
Novos Programas Controvérsia da Rádio Sinpro com o professor José Luiz Quadros de Magalhães:
1- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/cinema-em-controversia-serie-black-mirror/
2- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-rejeicao-a-visita-de-bolsonaro-na-fumec/
3- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/cinema-em-controversia-aquarius/
4- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/cinema-em-controversia-sombras-de-goya/
5- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-guerra-ideologica-2/
6- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/cinema-em-controversia-retratos-da-vida/
7- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-o-respeito-a-diversidade/
1- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/cinema-em-controversia-serie-black-mirror/
2- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-rejeicao-a-visita-de-bolsonaro-na-fumec/
3- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/cinema-em-controversia-aquarius/
4- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/cinema-em-controversia-sombras-de-goya/
5- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-guerra-ideologica-2/
6- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/cinema-em-controversia-retratos-da-vida/
7- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-o-respeito-a-diversidade/
sábado, 23 de setembro de 2017
1656- Palestra sobre o Novo constitucionalismo democrático latino americano
Palestra do Professor José Luiz Quadros de Magalhães sobre o Novo constitucionalismo democrático Latino-americano:
1655- Contraponto Cinema: Black Mirror
Programa Contraponto Cinema da TV Comunitária de Belo Horizonte:
"Black Mirror" - Queda livre:
https://www.youtube.com/watch?v=DaZt4xnDg0A
"Black Mirror": Toda a sua história:
https://www.youtube.com/watch?v=5BE72ZFns9w
"Black Mirror":Quinze milhões de créditos:
https://www.youtube.com/watch?v=jCb-JlmWqk0
https://www.youtube.com/watch?v=DaZt4xnDg0A
"Black Mirror": Toda a sua história:
https://www.youtube.com/watch?v=5BE72ZFns9w
"Black Mirror":Quinze milhões de créditos:
https://www.youtube.com/watch?v=jCb-JlmWqk0
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Wokshop Poverty a By-product or a Building Block of Prosperity? Trends in Economic Development form Brazil and the United Kingdon
Workshop Poverty a By-Product or a Building Block of Prosperity? Trends in Economic Development from Brazil and the United Kingdom
Nos
dias 21 a 24 de agosto de 2017, o Programa de Pós-graduação em Direito da
PUC Minas por iniciativa de seu Núcleo Jurídico de Políticas Públicas, em
especial dos professores José Luiz Quadros de Magalhães e Marinella
Machado Araújo, em parceria com a Queens University - Belfast Law
School, por intermédio de seu professor Mohsen Al Attar, receberá um
grupo de 30 acadêmicos do Brasil e do Reino Unido para a realização
de 04 dias de workshop com o objetivo de discutir o papel
de criação de riquezas desempenhado pelo Estado Social no Sul
Global. A hipótese central do workshop é que as disparidades de renda e de
consumo não são efeitos colaterais, mas os pilares da ordem econômica
contemporânea. Trata-se de oportunidade única para o intercâmbio de ideias
e de debate sobre descolonização de teorias jurídicas frequentemente
adotadas na América Latina.
O workshop, que será realizado em inglês, é
financiado com recursos do Programa Researcher Links do British
Council e cobrirá todas as despesas de 15 participantes
brasileiros, professores recém-doutores ou doutorandos em
fase final de elaboração de tese, que estejam vinculados a
instituições acadêmicas brasileiras. Para mais informações sobre
o processo de seleção, favor consultar o link: https://www.britishcouncil.org/poverty-product-or-building-block-prosperity. O prazo final de inscrição é 15.05.2017 e
os formulários devem ser enviados para o e-mail do coordenador
brasileiro.
sexta-feira, 14 de abril de 2017
segunda-feira, 10 de abril de 2017
1653- Programa Radiografia sobre a crise no Brasil
Programa Radiografia da Rádio Inconfidência sobre a crise brasileira:
1652- A espuma dos dias e About time: sobre o tempo, de novo
A Espuma dos
Dias (About time)
José Luiz
Quadros de Magalhães
A leveza é possível.
Embora todo o mundo moderno, todos
os impulsos da sociedade de ultra consumo, toda a ordem do supereu percebido
por Lacan (ao contrário do supereu da renúncia do tempo de Freud), que nos
ordena curtir sem cessar, é possível ser leve. Mas é preciso, antes descobrir a
importância da leveza. O que é ser leve? Porque a leveza parece impossível?
Talvez esta seja a grande chave do
filme “A espuma dos dias”. A espuma que se desfaz rapidamente após grande
abundancia. A espuma cresceu, transbordou, parecia que nunca ia acabar.
Encobriu pecados e desejos, rapidamente revelados com sua fragilidade.
Efêmera....
A grande cena: duas pessoas, um
homem e uma mulher, mas, mais do que qualquer gênero, duas pessoas, lindas,
descobrindo o amor, a complementariedade da vida, sem pressa, sem nada mais do
que as duas pessoas. Um túnel que leva de um lado ao outro e vice-versa.
Atravessa. Os dois se descobrem. Este é o momento. A anulação do tempo, de novo
o tempo. O tempo do poeta, talvez não, o poeta talvez tenha sido apressado ao
declarar a infinitude finita de vários amores sexuais. Não é isso. É muito
mais. Ele diz: “sinto que este é o momento mais importante de minha vida e não
posso errar”. Na resposta leve está toda a (im)possível leveza: “não há
problema em errar, temos toda a vida para acertar”.
Isto.
Leve.
Tudo.
Este texto é sobe dois filmes e o
tempo.
O primeiro, que acabo de pensar
sobre uma cena, fala de leveza, da negação da aflição do tempo que com o tempo
leva cedo uma vida, leve, esmagada pela doença. Um belíssimo e incômodo filme
surreal.
O segundo filme, “Questão de tempo”
(About time) fala do controle do tempo cronológico. Sim, de novo ele, Kronos, o
implacável amigo.
O filme, “About time” nos fala de
forma divertida sobre a possibilidade de brincar com Kronos. Kairós está
ausente. Não fala do tempo subjetivo, de outros tempos vários, fala
simplesmente do implacável Kronos. Sem apelar para recursos tecnológicos, máquinas
do tempo e efeitos especiais, o filme fala dos “homens” de uma família (porque
só os homens também é uma questão esquisita) que podem viajar no tempo
simplesmente indo a um lugar escuro, apertando as próprias mãos e pensando para
onde querem ir no passado.
Primeiro é importante superar uma
questão de gênero. As mulheres não precisam destes recursos, e logo veremos por
que. A questão é que, quando o jovem recebe a notícia do pai de sua herança
mágica este começa a manipular sua história (estória talvez). Volta no tempo
várias vezes até acertar a cantada certa para conquistar seu amor. Volta no
tempo várias vezes até proporcionar a melhor primeira noite para o seu amor.
E........
É isto?
Ele enganou seu amor. Ele não é a
primeira noite perfeita tantas vezes ensaiada. Ele não é o galã que acerta a
cantada na primeira vez. Ele errou sozinho. Aí está a diferença entre a leveza
de errar juntos, sem a obrigação de acertar e o desespero de não errar, o
desespero de não aceitar o erro, de buscar a perfeição que não existe, mesmo
quando se pode manipular o tempo. Manipular o tempo é uma mentira. Encobrir os
erros, errar sozinho para parecer o que não se é, o que não se pode ser.
Melhor a leveza impossível do que a
performance do presente contínuo ou do tempo manipulado. Disto falam os filmes.
Boa reflexão.
1651- O tempo de Aquarius por José Luiz Quadros de Magalhães
AQUARIUS
José Luiz
Quadros de Magalhães
O tempo...tempos de luta e
resistência. Como o filho que resiste ao implacável Kronos, que sem se importar
com nada segue seu caminho implacável, reto, atropelando tudo, ignorando o
mapa, o relevo, aguas profundas ou não. Ele segue. Mas como já nos mostrou
Saramago, Kronos é necessário, pois justamente ao ignorar tudo e todos os
apelos, não se sujeita ao bem nem ao mal. Ele simplesmente segue, e com isto se
afasta do sofrimento prolongado da perda e da doença. Mas seu filho
inconformado com sua dureza, criou um tempo próprio, subjetivo, e permitiu que
outros tempos pudessem ser criados, por pequenos deuses, por grandes lutas, e
por, parece, intermináveis sofrimentos.
Não vamos falar aqui das
intermináveis práticas de prolongamento do sofrimento pela ação objetiva da
ciência nas mãos de pessoas demasiadamente apegadas. Não se trata disto. O filme
Aquarius trás o tempo político, de diversas resistências. Da resistência da
vida contra a implacável lógica do poder do capital (e do Estado ao seu
serviço)
Dois são os momentos políticos do
filme: na década de 1980, uma mulher marcada pela luta contra a ditadura
empresarial militar que se instalou no Brasil em 1964 e a luta contra o contra
o câncer. O outro momento, Clara, nos tempos atuais, e sua luta contra o
sistema político-empresarial que engole a memória e história, com as marcas no
seu corpo da luta contra o câncer.
Dois tempos, duas lutas, duas formas
cruéis de assédio representado na luta de duas mulheres. O filme mergulha na
vida da segunda mulher, Clara, e o tempo presente. Ao dedicar-se a Clara, um
outro personagem ganha vida: a memória. Qual memória é preservada na cidade?
Quais memórias têm o direito de sobreviver em monumentos, objetos, técnicas e
construções na cidade? Porque o novo precisa ser construído sobre a destruição
dos significantes do passado, ou de sua museificação?
Neste momento os conflitos se
desenvolvem no filme: os discos de vinil “superados” pelos CD’s e agora pela
música disponível nas nuvens e novos programas disponíveis na internet. O
objeto físico do passado, a arte da capa, a raridade da gravação, o toque no passado
no contato com o objeto, muitas vezes marcado com letras que não podem mais ser
escritas com a tinta da caneta da dedicatória que ainda não desapareceu,
desaparece mergulhado no tudo disponível incorpóreo das novas tecnologias.
Quantidade, muita quantidade, tanta quantidade que as coisas se perdem, e algo
importante se esconde em meio a toda esta quantidade tecnológica.
Finalmente “Aquarius”. Uma nova era,
tudo por se revelar na era de Aquarius. Quem viu o filme Hair se lembra das
promessas de Aquarius. Mas aquele prédio, memória de uma época que prometia o
novo, é engolido por este novo, diferente daquele que se anunciou. O prédio, o
apartamento, e os objetos de seu tempo, representam sua memória, a memória de um
tempo que não mais interessa às pessoas, levadas no ritmo acelerado do consumo
no ultra capitalismo moderno. Objetos antigos devem ser substituídos, alguns
colocados em museus de memórias de alguns privilegiados. Para a grande parte
das memorias não há museus. Não há mais objetos. O novo se constrói sobre o
tempo presente permanente. A nova onda é viver o presente eterno, desesperados.
A ordem é curtir o presente: o presente contínuo. Na sociedade de ultra consumo
pacotes de curtição (jouissance) são permanente vendidos. Não há mais passado
nem um futuro a partir do passado, passado presente e futuro se misturam em um
novo imperativo do supereu: goze!
Assim o novo, o filho do empresário,
se apresenta para Clara. Muito educado. Muito simpático. Determinado a ignorar
tudo para construir um novo prédio sobre o velho, o jovem empresário faz uma
promessa a Clara: o novo empreendimento, um enorme prédio, a nova forma,
manterá o nome antigo “Aquarius”. A nova era se reciclou. Resignificar
permanentemente, anular o passado e um futuro construído a partir deste passado
é a ordem presente. Isto é o presentismo. A condenação infernal do perpétuo
presente. Cronos e Kairós presos no presente do eterno “non sense” da curtição,
da “jouissance” desesperada. Correndo e fugindo desesperadamente de qualquer
passado e futuro.
domingo, 2 de abril de 2017
1650- Quem deu o golpe na Venezuela?
Quem deu o golpe na Venezuela?
(Ou nada é fácil diante de um cerco implacável)
Gilberto Maringoni (*)
(*) é professor de Relações Internacionais da UFABC (Universidade Federal do ABC), autor do livro “A Venezuela que se inventa”.
Gilberto Maringoni (*)
Há uma luta política duríssima em curso na Venezuela. A suspensão temporária da Assembleia Nacional pela Suprema Corte é sua mais recente e dramática face.
De um lado, há um governo acuado por uma crise econômica causada pela queda dos preços do petróleo, entre 2014-16, pela falta de comando político estável e pelo desaparecimento de sua principal liderança, Hugo Chávez, morto há quatro anos.
De outro, existe uma oposição vitaminada por expressiva vitória eleitoral, em dezembro de 2015, na qual obteve 112 cadeiras contra 55 do governo. Três deputados foram impugnados no estado de Amazonas, sob acusação de fraudes eleitorais.
TOTAL DIFERENÇA
Os três fazem toda a diferença nas votações: com eles, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), leque de forças que comanda o Legislativo alcançaria mais de dois terços dos membros da casa, o que lhe facultaria decidir sobre matérias constitucionais.
A disputa se acirrou. No início de janeiro último, os antichavistas alcançaram 106 votos para declarar a vacância da cadeira presidencial, por “abandono do cargo”.
A iniciativa não prosperou por falta de respaldo nos fatos. Nicolás Maduro não teve nenhuma falta da ordem alegada pela coalizão opositora.
As movimentações de tais setores para derrubar o governo agora só podem ser feitas ao arrepio da Constituição. Até abril de 2016 – metade da gestão Maduro – era possível obter tal intento pela via do referendo revogatório, previsto na Carta. A MUD não obteve assinaturas em número suficiente, segundo a Suprema Corte. Se a medida for realizada agora e Maduro cair, quem assume é seu vice, Tareck El Aissami.
Em 6 de janeiro, desafiando a lei, a MUD empossou os três políticos impugnados.
A LETRA DA CONSTITUIÇÃO
A possibilidade de efetivá-los facultaria à oposição encurtar o mandato presidencial, através de emenda constitucional. Mas a posse dos três em si é ilegal.
Para impedir um golpe contra si, Maduro valeu-se de prerrogativas inscritas na Constituição::
“Artigo 335. O Tribunal Supremo de Justiça garantirá a supremacia e efetividade das normas e princípios constitucionais; será o intérprete máximo e último da Constituição e velará por sua interpretação e aplicação uniformes. As interpretações estabelecidas pela Sala Constitucional sobre o conteúdo ou alcance das normas e princípios constitucionais são vinculantes para as outras câmaras do Tribunal Supremo e demais tribunais da República.
Artigo 336. São atribuições da Sala Constitucional do Supremo Tribunal de Justiça:
- Declarar nulidade total ou parcial das leis nacionais e demais atos com força de lei dos corpos legislativos nacionais que colidam com esta Constituição.
(…) - Dirimir controvérsias constitucionais que possam surgir entre qualquer órgão do poder público”.
A SC apelou à Assembleia Nacional que anulasse a posse dos deputados. Esta não o fez.
Pode-se debater se a medida de suspender a AN foi exagerada ou não. Mas não se pode tirar de vista que a MUD tentou dar um golpe. Diante de tal ilegalidade, o governo apelou à Justiça.
NEOLIBERALISMO OU ESTADO SOCIAL?
As opções colocadas diante da Venezuela não são simples. É possível que o governo perca as eleições presidenciais de 2019. É parte do jogo. Mas, diante do avanço avassalador da extrema-direita no continente, Nicolás Maduro não quer pagar para ver em seu país a concretização de diretrizes econômicas que empobrecem a população, privatizam ativos públicos, retiram direitos dos trabalhadores e tolhem perspectivas de desenvolvimento.
Não se trata de fantasias. É exatamente o que está acontecendo na Argentina, no Brasil, no Paraguai e em Honduras.
Pode-se e deve-se criticar acidamente o atual governo venezuelano por muitas coisas.
Só não se pode condená-lo por lutar como um leão – isolado por um cerco político e midiático no cenário internacional – para manter as conquistas de 18 anos de um processo político que buscou tirar de cena a dinâmica destrutiva do neoliberalismo.
1649- Programa Controvérsia sobre a crise política, social e econômica no Brasil
1649- Programa Controvérsia sobre a crise política, social e econômica no Brasil
69- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-a-destruicao-da-economia-brasileira/
70- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-os-reflexos-da-eleicao-de-trump/
71- https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-o-querem-dizer-os-pequenos-atos-criminosos
72- https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-perda-de-direitos
73- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-governo-temer-e-meritocracia/
74- https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-tentativa-de-emenda-constitucional-e-golpe
75- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-alternativas-de-resistencia-e-transformacao/
69- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-a-destruicao-da-economia-brasileira/
70- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-os-reflexos-da-eleicao-de-trump/
71- https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-o-querem-dizer-os-pequenos-atos-criminosos
72- https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-perda-de-direitos
73- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-governo-temer-e-meritocracia/
74- https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-tentativa-de-emenda-constitucional-e-golpe
75- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-alternativas-de-resistencia-e-transformacao/
domingo, 5 de março de 2017
1648- Programa Controvérsia: Rádio Sinpro Minas com o professor José Luiz Quadros de Magalhães
Programa Controvérsias com o professor José Luiz Quadros de Magalhães:
1-A convocação de uma Assembléia Constituinte por meio de emenda:
https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-tentativa-de-emenda-constitucional-e-golpe
2-Alternativas para a crise:
https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-alternativas-de-resistencia-e-transformacao-1
3- Direitos das mulheres: ameaças
http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-ameaca-aos-direitos-da-mulher/
4- Resistência e transformação:
http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-ameaca-aos-direitos-da-mulher/
5- A destruição da economia brasileira:
http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-a-destruicao-da-economia-brasileira/
6- Os reflexos da eleição de Trump:
http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-os-reflexos-da-eleicao-de-trump/
1-A convocação de uma Assembléia Constituinte por meio de emenda:
https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-tentativa-de-emenda-constitucional-e-golpe
2-Alternativas para a crise:
https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-alternativas-de-resistencia-e-transformacao-1
3- Direitos das mulheres: ameaças
http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-ameaca-aos-direitos-da-mulher/
4- Resistência e transformação:
http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-ameaca-aos-direitos-da-mulher/
5- A destruição da economia brasileira:
http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-a-destruicao-da-economia-brasileira/
6- Os reflexos da eleição de Trump:
http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controversia-os-reflexos-da-eleicao-de-trump/
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
1647- Emir Sader: o novo fracasso do neoliberalismo
Emir Sader: Com Temer e Macri, neoliberalismo torna-se expressão do fracasso
As promessas eram as mesmas de há três décadas: acabar com os gastos inúteis do Estado, com sua administração ineficiente, controlar as finanças públicas como primeira prioridade, retomar a confiança na economia, recuperar o crescimento econômico. No passado, a novidade permitiu que as promessas tivessem duração mais longa: elegeram e reelegeram governos, baseados no controle da inflação, mesmo frente ao processo de estouro da dívida pública, do aumento da desigualdade e da exclusão social.
Por Emir Sader, na Rede Brasil Atual
Desta vez, no entanto, para conseguirem certo espaço, tiveram de promover o esquecimento da população em relação ao seu fracasso e ao sucesso dos governos que os sucederam. Agiram, assim que Macri e Temer assumiram, repetindo a pantomima do seu surgimento, como se nada tivesse acontecido: nem seu esgotamento, nem o sucesso dos governos que se antepuseram a eles.
Se valeram da recessão econômica internacional e seus efeitos sobre os nossos países, da reiteração da campanha de desestabilização interna promovida pela mídia, das acusações reiteradas de setores do Judiciário e da polícia, concentrados nos governos progressistas, para promover a candidatura do Macri na Argentina, o golpe no Brasil.
Tiveram, para retomar suas políticas, de retomar seus diagnósticos, negados pela realidade recente. O Estado gastou muito, as políticas sociais desequilibraram o orçamento público, a força de trabalho é muito cara, o desenvolvimento gera inflação e assim por diante. E aplicaram seu duro ajuste fiscal, sem aprender nada da realidade, revelando como não tem nada de novo a oferecer. E fracassam de novo.

Bastaram alguns meses para ficar claro que nem na Argentina, nem Brasil, nem um único índice econômico é positivo. A recessão se aprofunda, como efeito do ajuste, e se torna depressão econômica. Não há investimentos novos, ao contrário, há fuga de capitais e aumento da especulação financeira. O desemprego dispara, os salários são comprimidos, a crise social se intensifica, a desconfiança na economia se generaliza, dentro e fora dos países.
Macri e Temer fracassam ao mesmo tempo, nos dois maiores países que se haviam atrevido a ferir preceitos básicos do neoliberalismo. Que haviam provado que é possível crescer, distribuir renda e controlar a inflação. Que é possível recuperar a legitimidade do Estado, com políticas de crescimento e de inclusão social. Que a integração regional e os intercâmbios Sul-Sul são melhores do que a integração subordinada como a do México com os EUA.
Agora a comparação não é com os desenvolvimentos esgotados das décadas anteriores ao surgimento do neoliberalismo, mas com os avanços realizados neste século. Como não sobrevivem a essa comparação, os governos neoliberais promovem o esquecimento na cabeça das pessoas, mas diante da expropriação dos direitos adquiridos, sua luta é vã. Por outro lado, tentam a desqualificação dos principais responsáveis por essas conquistas – Lula e Cristina Kirchner. Tampouco conseguem, como as pesquisas apontam.
Foi um ano de imensos retrocessos para os dois países, como não havia ocorrido desde as ditaduras militares. Só comparáveis com os retrocessos promovidos pelos primeiros governos neoliberais – de Collor e FHC no Brasil, de Carlos Menem, na Argentina. Com a diferença que desta vez o impulso neoliberal tem fôlego muito mais curto e deve ser um parêntesis e não um longo período de retrocessos no Brasil e na Argentina.
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
1646- Sobre o encarceramento em massa e seletivo: dados dos EUA
CRIMINAL JUSTICE FACT SHEET
Incarceration Trends in America
- From 1980 to 2008, the number of people incarcerated in America quadrupled-from roughly 500,000 to 2.3 million people
- Today, the US is 5% of the World population and has 25% of world prisoners.
- Combining the number of people in prison and jail with those under parole or probation supervision, 1 in ever y 31 adults, or 3.2 percent of the population is under some form of correctional control
Racial Disparities in Incarceration
- African Americans now constitute nearly 1 million of the total 2.3 million incarcerated population
- African Americans are incarcerated at nearly six times the rate of whites
- Together, African American and Hispanics comprised 58% of all prisoners in 2008, even though African Americans and Hispanics make up approximately one quarter of the US population
- According to Unlocking America, if African American and Hispanics were incarcerated at the same rates of whites, today’s prison and jail populations would decline by approximately 50%
- One in six black men had been incarcerated as of 2001. If current trends continue, one in three black males born today can expect to spend time in prison during his lifetime
- 1 in 100 African American women are in prison
- Nationwide, African-Americans represent 26% of juvenile arrests, 44% of youth who are detained, 46% of the youth who are judicially waived to criminal court, and 58% of the youth admitted to state prisons (Center on Juvenile and Criminal Justice).
Drug Sentencing Disparities
- About 14 million Whites and 2.6 million African Americans report using an illicit drug
- 5 times as many Whites are using drugs as African Americans, yet African Americans are sent to prison for drug offenses at 10 times the rate of Whites
- African Americans represent 12% of the total population of drug users, but 38% of those arrested for drug offenses, and 59% of those in state prison for a drug offense.
- African Americans serve virtually as much time in prison for a drug offense (58.7 months) as whites do for a violent offense (61.7 months). (Sentencing Project)
Contributing Factors
- Inner city crime prompted by social and economic isolation
- Crime/drug arrest rates: African Americans represent 12% of monthly drug users, but comprise 32% of persons arrested for drug possession
- “Get tough on crime” and “war on drugs” policies
- Mandatory minimum sentencing, especially disparities in sentencing for crack and powder cocaine possession
- In 2002, blacks constituted more than 80% of the people sentenced under the federal crack cocaine laws and served substantially more time in prison for drug offenses than did whites, despite that fact that more than 2/3 of crack cocaine users in the U.S. are white or Hispanic
- “Three Strikes”/habitual offender policies
- Zero Tolerance policies as a result of perceived problems of school violence; adverse affect on black children
- 35% of black children grades 7-12 have been suspended or expelled at some point in their school careers compared to 20% of Hispanics and 15% of whites
Effects of Incarceration
- Jail reduces work time of young people over the next decade by 25-30 percent when compared with arrested youths who were not incarcerated
- Jails and prisons are recognized as settings where society’s infectious diseases are highly concentrated
- Prison has not been proven as a rehabilitation for behavior, as two-thirds of prisoners will offend again
Exorbitant Cost of Incarceration: Is it Worth It?
- About $70 billion dollars are spent on corrections yearly
- Prisons and jails consume a growing portion of the nearly $200 billion we spend annually on public safety
terça-feira, 25 de outubro de 2016
1645- Programas Controvérsia da Rádio Sinprominas com o professor José Luiz Quadros de Magalhães
Programas Controvérsia da Rádio Sinprominas com o professor José Luiz Quadros de Magalhães:
1- https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-uma-outra-politica-e-possivel
2- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controverosa-crise-politica-e-fascimo/
1- https://soundcloud.com/r-dio-sinpro-minas-2/controversia-uma-outra-politica-e-possivel
2- http://sinprominas.org.br/radio-sinpro/controverosa-crise-politica-e-fascimo/
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
1644- Plurinacionalidade e cosmopolitismo: a diversidade cultural das cidades e a diversidade comportamental nas metropolis
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Plurinacionalidade e cosmopolitismo: a diversidade cultural das cidades e a diversidade comportamental nas metrópolis
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